Adiós traumas
Sempre achei o mês de março, época do meu aniversário, um período complicado para mim. Ainda em fevereiro sentia que as pessoas ao meu redor começavam a cobrar que eu, podre pisciana, estivesse feliz e contente por completar mais uma primavera.
Nunca gostei nem de aniversários – e nem de Natal. Ainda criança fugia das minhas próprias festinhas, principalmente no momento dos parabéns. É verdade sim, tenho várias fotos com os meus amiguinhos cantando parabéns sem mim (“taí” uma esquisitice de que eu me esqueci de escrever no post anterior!). A minha família dizia que era bobeira de criança, mas o tempo foi passando..., passando..., passando... (chega! Não to tão velha assim!) e nada mudou, apenas se transformou.
A partir dos 25 anos, as datas eram marcadas por ansiedade e não mais por uma leve depressão. “Meu Deus, preciso me firmar profissionalmente!”, “Meu Deus, preciso tomar vergonha na cara e me casar!”, “Meu Deus, preciso mudar de vida, beber e fumar menos”... Tolices de uma mulher ainda sem rumo na vida, mas com uma grande gana de agregar tudo: valores, amores, dinheiro, sucessos, derrotas, porres, histórias, encontros e desencontros.
Esse mês, completos os 29, tudo transcorreu de maneira bem estranha. À meia noite recebi um telefonema de uma amiga. Ela – com outra amiga - cantava justamente o meu trauma, os “parabéns”. E em ritmo de samba, com direito até a pandeiro e bis! Fiquei feliz. O dia também transcorreu bem, recebi várias mensagens, inclusive de pessoas que tinha certeza de que iria se esquecer. À noite, vários amigos queridos foram me ver. Embora acredito que poucos tenham percebido, devido à preocupação em dar atenção para todos, estava muito feliz e emocionada.
Foi um dia em que não me lamentei por ainda não ter conquistado isso ou aquilo. Por essa ou aquela pessoa que tanto gosto não estar comigo. Enfim, por tudo que ainda está por vim. Pelo contrário. Fiquei feliz ter consciência da mulher que me tornei. Com todas as qualidade e defeitos. Minha entrada no ano 8, segundo a Aparecida Liberato? Não sei. Apocalipse? Tomara que não. Maturidade? Não sei. Mas espero que todos os navegantes de todos os mares sintam essa paz e essa leveza que está comigo.
Ótimos ventos aos 20, 30, 40, 50 ou 100 anos!
Escrito por Ju às 21h57
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