Vou de táxi...
Todo mundo tem uma implicância na vida. Pode ser mínima, mas tem. E elas incomodam profundamente. A Dani, por exemplo, odeia lixo da cozinha aberto, reclaaama. Já a Ju, minha prima, detesta saquinhos abertos. Na mesma escola, minha mãe não gosta de saquinhos de supermercado. As esquisitices chegam a ponto de eu conhecer gente que odeia cortar a unha do pé. Comigo não é diferente. A minha maior implicância é com os motoristas de táxi.
Calma! Nada contra a profissão que, aliás, é muito digna e precisa de muito dom para agüentar todos os dias um trânsito infernal e, o pior, passageiros chatos como eu. Bom, mas vamos lá. A minha primeira lembrança de raiva contra os motoristas creio que se iniciou já aqui em São Paulo. Por causa do trabalho, freqüentemente pegava táxis para ir a reuniões ou acompanhar entrevistas de clientes. Na frota da empresa conveniada havia um Monza acabadérrimo que, pelo motorista fazer ponto perto do escritório em que trabalhava e ficar perto de minha casa também, sempre me pegava.
O motorista tinha (tem! Porque sempre que passo perto do tal ponto o vejo!) um corpo muito fraquinho e sempre parecia doente. Acho que a coxa dele devia ser o meu braço, de tão magrelo. Ele fumava compulsivamente e o carro cheirava balada às 8h da manhã. O carro fazia um barulho muito suspeito ao trocar as marchas e nada mais funcionava no automóvel: nem rádio, nem vidros elétricos e, muito menos, o ar condicionado. Além disso, o tal moçoilo era uma grossura em pessoa.
Depois fui trabalhar em outra Agência e, com a mudança, veio outra frota de táxis. Lá é engraçado. Eles nunca dão retorno, nunca têm unidades por perto, e sempre deixam a gente esperando na linha. Sério. Até as mais pacientes das pessoas ficam irritadas. Bom, lá as figuras são as mais estranhas. O 096, por exemplo, tem um bafo que eu nunca senti igual na minha vida. Ele fala e o carro fica empestado. Outro dia estava o maior frio aqui em São Paulo, mas pedi para ele ligar o ar porque não estava agüentando o cheiro.
Tem também o tiozinho do 103, um velhinho de cabeça branca que a d o r a conversar. Claro que naqueles momentos mais inoportunos, como às 7h da manhã ou depois de uma reunião de me tirar o couro e eu sair com a alma sangrando. Ele é tão folgado que até manda recadinhos para as outras pessoas da Agência.
Isso sem falar nos motoristas do ponto da esquina do escritório. Pode estar o maior calor, frio ou chuva que, religiosamente estão dentro do carro dormindo e com os vidros fechados. Fico imaginando a quantidade de gás carbônico que deve haver dentro do carro misturado com o bafo e o fedor de suor. Nojento.
É claro que também há os motoristas bonzinhos. Dois em especial são o meu xodó. Não sei o número deles, mas um tem um Santana e o outro uma Meriva. Eles são super cuidadosos com os carros, que estão sempre limpos e cheirando a talco. Tá..., tudo bem..., eu confesso: eles são bonitinhos e educados também.
É..., com esse texto que saiu do nada e levou à lugar algum, posso concluir apenas duas coisas: preciso de um namorado e um carro, urgentemente.
Bons ventos!
Escrito por Ju às 21h41
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