Mar de Letras


Salve Zeca!

A gente sofre. Mas nos divertimos muito enquanto trabalhamos. Nesses dias fui a uma entrega de bendito prêmio acompanhar o meu cliente em um local muito brega. Sabe aqueles clubes aristocráticos paulistanos do passado e que, hoje, para não fechar, aceitam qualquer um como sócio?

 

Pois bem. A noite começou com lindo e falso sorriso das recepcionistas, fantasiadas com o cabelo escovado e um rabo de cavalo, terninho preto e sapato chanel, claro. No melhor estilo Casa Grande e Senzala, ouvi um “Boa noite, senhora! O que? Jornalista? Pior, assessora? Para lá”. Nomes com pedigrée, loiras com topetes e velhos ricos e caquéticos para o outro.

 

Eu, como não sou boba e nem nada, avancei em alto mar e até arrisquei algumas pernadas do “outro lado”. Foi engraçado. As peruas estavam enlouquecidas com os seus casacos de pele de chinchila. “Ui, ui, ui, o meu é maior!”, ou “o meu é mais caro!”. Já os velhinhos falavam em business, dólares, prêmios, notoriedade.

 

A minha diversão durou pouco porque logo as pessoas foram chamadas para a entrega. Básico: demagogia pura. Hino nacional tocado por garotos da favela da qual, aposto os seus dentes da frente (saudades, D!), a maioria das pessoas nunca havia ouvido falar.

 

Para a minha sorte, encontrei um outro navegante que estava na mesma corrente. Não demorou muito para descobrir que trabalhávamos para clientes concorrentes e que, apesar disto, éramos irmãos gêmeos. Quem disse que os assessores não podem rir da cara do pessoal da redação?

 

Lá pelas tantas, já com os pezinhos inchados, os ouvidos de irritados por ouvir tanta besteira e já sem paciência, tamanha a fome, a cerimônia terminou. E com ela a minha pseudo finesse. E a pseudo finesse de todos.

 

As peruas mais uma vez ficaram enlouquecidas. Agora para enfiar trufas e canapés na boca. Uma vergonha. Da minha parte, vi um garçom servindo caviar e resolvi me aventurar. O que aconteceu? Claro, acabou.

 

Terminei a minha noite em um Drive, do McDonals, em companhia do motorista de táxi. Mas terminei com dignidade: feliz e cantando “Você sabe o que é caviar? Nunca vi, nem comi, só ouço falar”!!

 

Bons ventos, Zeca! Bons ventos!



Escrito por Ju às 10h18
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