Domingo é o meu aniversário. Hoje, farei uma festinha para comemorar a data e, confesso, estou em pânico. Não sei é do signo ou de minha personalidade neurótica mesmo, mas estou morrendo de medo de ninguém ir. Aliás, esse é um medo recorrente em março e que dura toda a minha vida.
Sempre tive problemas com a data. Nem é tanto pela idade – a única crise foi aos 29 – mas por um sentimento esquisito que não consigo dominar.Morro de medo de ninguém aparecer e eu ter de chorar sozinha no banheiro. É como aquele medo que sair e se esquecer de colocar a calça ou a saia.
Quando era criança, as coisas eram diferentes e, de certo modo, iguais. Eu não ligava se muitas – ou não – pessoas fossem à festa. Só me importava com os meus grandes amigos: Beto, Cássia e Fernanda. Para compensar, não participava dos parabéns nem por um brinquedo lindo. Detestava. Detesto. E juro que não consigo entender esse sentimento.
Em tempo..., a amiga que está fazendo a festa comigo acaba de me escrever. Disse que também está nervosa e até sonhou essa noite. Em seu delírio, ela era amiga da Sheila Melo e a dançarina fez uma surpresa na festa: chamou o E o Tchan para tocar. Até a Débora Brasil (!!) rebolava.
Eu já falei muitas vezes aqui que não entendo de música. E não entendo mesmo. Isso, no entanto, não me reprime em não dizer o que penso sobre umas e outras bandas, uns e outros cantores. Por exemplo, acabo de ver o Capital Inicial no BBB. Pronto, falei.
Acho um horror o Dinho Ouro Preto, patético. Um velhinho raquítico se portando como um rockstar garotão. As poses dele ao cantar me fazem querer cortar os pulsos, os bicos de meus mamilos. Para completar, tenho certeza, ele depila a axila. Péssimo.
Os amiguinhos de banda dele também me fazem chorar, de rir, de vontade de me matar. Tocam guitarra como se fossem do Kiss, do Metálica, do Guns, sei lá. Apresentavam "Que país é esse?" e se achavam o U2 brasileiro defendendo os brasileiros, nós!, eu!, dos meninos maus de Brasília. Um saco, aliás, acho um saco essas bancas engajadas. "Toca essa merda aí e fale menos", sempre foi o meu lema.
Pronto, falei!
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Para não perder a acidez, também acho ridículos os "meninos" do BBB. E as meninas também. Hoje, eles ouviam a música "como se lavassem a alma". Sim, um puta clichê. Até air guitar eles ensaiaram.
Oh, my God!!! Eram os deuses astronautas?
Pronto, falei de novo. E repito, apesar de tudo, bons ventos!
Passei dias incríveis no carnaval. Embora fosse para a “lida” à noite, acordava todos os dias muito cedo e saia sem destino, sozinha, livre pela cidade. Foi ótimo. Libertador.
Conversei com os moradores locais e descobri histórias fantásticas: o médico que largou tudo e foi morar numa casa antiga, a francesa que se apaixonou, veio para o Brasil e mora numa casa rosa, a dona do bar que nunca se casou para poder cuidar do pai e da mãe, que estão doentes.
Em meio a tantas histórias reais, passei também por locais de histórias de amor da ficção, do primeiro beijo entre a Hilda Furação e o frei Malthus. Lugar lindo, mágico. Fui duas vezes e, se voltar à Tiradentes, irei mais algumas.
Em homenagem às histórias, o Mar mostra a versão original e a nossa versão.